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domingo, 24 de março de 2013

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS


Por Mário de Andrade 

Contei meus anos e descobri que terei
menos tempo para viver
daqui para a frente do que já vivi até agora.  
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou 
uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente,
mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.    Não quero estar em reuniões
onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando
destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis,    para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias 
que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar 
melindres de pessoas, que apesar da idade    cronológica, são imaturos. 
Detesto fazer acareação de desafetos 
que brigaram pelo majestoso 
cargo de secretário geral do coral. 
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.   Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos,    quero a essência, minha alma tem pressa… 
Sem muitas jabuticabas na bacia, 
quero viver ao lado de gente humana, muito humana,    que sabe rir de seus tropeços, 
não se encanta com triunfos, 
não se considera e eleita 
antes da hora, não foge de sua mortalidade… 
Só há que caminhar perto de coisas 
e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena. 
E para mim, basta o essencial.

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