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domingo, 24 de março de 2013

SONETO DO AMOR TOTAL


Por Vinícius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor... não cante  
O humano coração com mais verdade...  
Amo-te como amigo e como amante  
Numa sempre diversa realidade   

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,  
E te amo além, presente na saudade.  
Amo-te, enfim, com grande liberdade  
Dentro da eternidade e a cada instante.  

Amo-te como um bicho, simplesmente,  
De um amor sem mistério e sem virtude  
Com um desejo maciço e permanente.   

E de te amar assim muito e amiúde,  
É que um dia em teu corpo de repente  
Hei de morrer de amar mais do que pude.

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